No início
da década de 90, a então primeira ministra francesa Edith
Cresson confiou ao filósofo Michel Sérres, a tarefa de desenvolver
uma missão cujo objetivo era combater a exclusão social,
o fracasso escolar e o desemprego.
O resultado foi o desenvolvimento, por Pierre Lévy e Michel Authier,
membros da referida missão, de um dispositivo informatizado de reconhecimento,
visualização e contextualização dos mais diversos
saberes: as ÁRVORES DE CONHECIMENTO
(ou AdC's).
Usando o conceito da inteligência coletiva, no qual existe uma inteligência
totalmente distribuída, de modo que ninguém sabe tudo mas
todo mundo sabe algo, e onde cada indivíduo, ao realizar uma ação,
o faz tendo por base este conjunto. Portanto o indivíduo não
é algo isolado, mas um cruzamento de múltiplos componentes
relativamente autônomos e interrelacionados.
A intenção da AdC é abarcar a diversidade, reconhecendo
não apenas os saberes oficiais, mas também aqueles não
contemplados pelos diplomas, todos têm a possibilidade de contribuir
para o coletivo, enriquecendo-o, transformando-o e fazendo-o evoluir.
A Árvore de Conhecimentos insere-se nesta lógica; trata-se
de um instrumento de cartografia dos estados de competência das empresas,
coletividades, escolas, bairros etc. Contudo, não é uma cartografia
estática, mas dinâmica, que afere o valor da articulação
de diferentes relevos: a relação entre aquilo que os indivíduos
disponibilizam, aquilo que o coletivo demanda em relação
a isto que foi disponibilizado e as possibilidades de aprimoramento das
riquezas deste conjunto.
Os quadrados, retângulos e folhas que vemos na árvore
representa um atributo destes indivíduos.
No tronco estão representados os atributos comuns a esta comunidade
de indivíduos(os conhecimentos mais básicos).
As cores mostram os valores que cada um dos atributos têm em função
do contexto analisado (compartilhamento entre os indivíduos, mobilização
dos atributos na comunidade, oferta e demanda de formação
para os atributos).
Os
galhos indicam atributos mais especializados no seio desta comunidade.
Mostram portanto os diferentes percursos de conhecimento dos indivíduos.
Já a organização de um saber expresso por uma árvore
é representado pela experiência coletiva de um grupo humano
e vai portanto, evoluir com esta experiência.
Por
competências, entendemos, tanto as aptidões comportamentais
(saber ser) como as habilidades (savoir-faire, know-how) ou os conhecimentos
teóricos. Cada competência particular é reconhecida
aos indivíduos pela obtenção de um "brevê",
em função de um procedimento bem especificado (teste, admissão
pelos pares, fornecimento de prova etc.).
Cada
indivíduo tem uma imagem pessoal (uma distribuição
original de brevês) na árvore, imagem que ele pode consultar
a qualquer momento. Nós chamamos esta imagem de "brasão"
da pessoa, para marcar que a verdadeira nobreza de hoje é conferida
pela competência.
Portanto
a Árvores de Conhecimento representam um potente dispositivo de
intervenção no campo da educação, das empresas
e das comunidades, propondo uma forma alternativa de inserção
no coletivo, a partir do reconhecimento, da visualização
e da contextualização dos mais diversos saberes.
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