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Profa. Dra. Vani Moreira Kenski (USP) (Parte do artigo publicado na Revista de Educação e Informática "Acesso" SEED/SP - no. 15/ Dez. 2001) A
divisão social do trabalho organiza as pessoas emgrupos
distintos.Os que mandam e os que
obedecem.Chefes e subordinados.
Os que sabem e os que não sabem. Os que ensinam e os que aprendem.
Professores e alunos. Mais do que papéis funcionais, estas
divisões impregnaram o universo de nossas relações
sociais cotidianas e tornaram-se estruturais.Ser
diretor, chefe, professor é ter algum poder. Éter
um fazer e saber distinto que os diferenciam das demais pessoas. Recuperando
Michel Serres (1996).... até algum tempo atrás haviam
espaços definidos para se ensinar e aprender: escolas, campus, bibliotecas....Aprendida
as informações restritas e direcionadas previstas pelo mundo
da escola, a
expectativa era a de que o aluno mudasse de lado. Diplomado e formado o
aluno assumia um outro status. Era a hora de mostrar profissionalmente
sua competência em lidar com o conhecimento aprendido.Encontrar
o seu novo papel no plano social e no mundo do trabalho. Novos valores
e perspectivas para o seu olhar diante da sociedade. Essas
certezas diluem-se neste nosso frenético momento de vida em que
as possibilidades tecnológicas de comunicação e informação
atravessam o nosso cotidiano e o transformam permanentemente.O
que é aprendido na escola, no campus...já
não mais oferece ao aluno a confiança do saber atualizado.O
conhecimento estruturado e construído em bases “sólidas”
em duros anos de estudo precisa ser permanentemente re-construído.Não
há espaços para certezas ou verdades definitivas. “Tudo
o que é sólido, desmancha no ar” O
movimento é acelerado. A atualização é permanente.
Novas informações derrubam velhas certezas. Implodemteorias,
leis. Transformam hábitos. Alteram práticas. Mudam as rotinas
das pessoas. Informações que se deslocam velozmente por todo
o mundo. Todos precisam estar em “estado constante de aprendizagem” sobre
tudo. Sobretudo. A
interação proporcionada pelas “telas” amplia as possibilidades
de comunicação com outros espaços de saber. As informações
fluem de todos os lados e podem ser acessadas e trabalhadas por todos:
professores, alunos e os que, pelos mais diferenciados motivos, se encontram
excluídos das escolas e dos campi :jovens,
velhos, doentes, estrangeiros, moradores distantes, trabalhadores em tempo
integral, curiosos, tímidos, donas de casa.... pessoas. Diluem–se
nestes novos espaços professores e alunos.Todos
se tornam ávidos “consumidores da informação”. Informação
que se oferece sob a forma de mercadoria e que estabelece um outro estágio
de valores na versão capitalista da era em que vivemos.A
informação como produto acessível a todos é
um bem volátil, efêmero, que exige consumo freqüente
do que é novo,permanentemente
diferente e original, sob pena da desatualização. Consumidoras
cativas das informações veiculadas, dependentes e viciadas
no consumo desenfreado das notícias,as
pessoas rompemo vínculo tradicional
com o conhecimento estruturado oferecido pelas escolas, institutos e universidades
e se lançam iguais na coleta do que lhes oferecido no mercado globalizado
dos media. Não mais professores e alunos,mas
pessoas,em busca do saber, da permanente
atualização,na atualização
permanente da informação veiculada. Isoladas
no movimento em direção ao saber, essas pessoas sentem que saber
só, não basta.Buscam
o outro com quem dialogar, conversar, trocar idéias, refletir junto.O
outro, próximo e visível, tem seu ritmo próprio, interesses
diferentes.... sem tempo para a troca informal.O
outro distante, acessível pelo telefone, também não
se encontra disponível.Na
alternativa tradicional existente nos espaços presenciais de aprendizagem
– escolas e campi -prevalece
o ensino ativo do professor sem a necessária correspondência
com o desejo calado e passivo de aprendizagem dos alunos. Ensino orientado,
estruturado e, muitas vezes,distante
dos pensamentos,experiências
e anseios dos aprendentes.“Totalmente
isolado, o ser sente-se irrecuperavelmente perdido. Daí a busca
por nova conectividade em identidade partilhada, reconstruída” (Castells,
1999,p. 40). O
ciberespaço abre novas possibilidades e configurações
para as pessoas aprenderem.Dispostos,
informais,com muita vontade para
aprender o que lhes interessa,sem
discriminações,sem
deslocamentos físicos, reunidos virtualmente em “comunidades virtuais”estas
pessoas inauguram uma nova era para a educação.Uma
nova pedagogia,novas relações
com os saberes, novos papéis para os participantes, cidadãos.Não
mais professores e alunos - separados pelos limites do saber autenticado
pelas instituições formais -mas
seres desejosos de ir além da informação e,neste
movimento comum, ir além da aprendizagem. Nos movimentos de trocas
e desencadeamento de ações comuns,de
consciência e valores sociais grupais recuperam,
nas relações educacionais, as pessoas, que somos todos nós... 2...
PESSOAS CONECTADAS ...
para aprender, com ou sem suportes tecnológicos de última
geração.Conexão:
momento em que muitos se encontram em torno de uma mesma idéia.
Acompanham de seus lugares a mesma linha de raciocínio. A emoção
das descobertas,o suspense do desvelamentodasrespostas,vencer
junto o desafio da ignorância conjuntural, ultrapassar as barreiras
do desconhecido ... chegar no limite da aventura ... transformar, alcançar,superar
e superar-se, vencer ... aprender. A
conectividade se dá quando duas ou mais pessoas se aproximam mentalmente,interagem,
conversam ou colaboram.Com o auxílio
de telégrafos, rádios, telefones ou das redes digitais de
comunicação estas pessoas podemestar
em lugares diferentes, distantes.O
avanço tecnológico e aampliação
de uso daWorld Wide Web (WWW)transformaram
as possibilidades de conectividade entre as pessoas. Não mais grupos
pequenos, restritos... mas um “coletivo” de pessoas unidas – ao mesmo tempo
- pelos mesmos interesses, objetivos, idéias, ideais. Kerckhove
(1997,p. 175)diz
que no reino das redes integradas,o
crescimento das interações humanas – pessoais, sociais, institucionais
-está concentrando e multiplicando
a energia mental humana.Em conseqüência,
diz também,o grau de colaboração
entre as mentes pode crescer muito. Para ele, “a Internet nos permite acender
a um entorno vivo, quase orgânico de milhões de inteligências
humanas que estão trabalhando constantemente em muitas coisas que
sempre tem umarelevância potencial
para todos os demais”. A
conectividade,a qual se refere Kerckhove,constrói
elos sensíveis entre a eletricidade ou energia que há no
interior e no exterior dos nossos corpos com a tecnologia. Estabelece relações
estreitas entre os domínios tecnológicos e biológicos
com a finalidade de agregar pessoas e máquinas para um determinado
fim, coletivo. Kerckhove
(1999) lembra quediariamente milhões
de pessoas passam bastante tempo conectadas utilizando seu cérebro
em sua máxima velocidade, sofrendo a agonia de esperar para poder
baixar novas informações.Cada
pessoa se conecta a muitas outras mediante sistemas digitais de funcionamento
integrado, as redes. O
pensamento dessas pessoas conectadas adquire novas feições.A
forma de raciocinar, a imaginação criadora perseguem caminhos
diferentes dos que habitualmente o corpo realizaisoladamente,na
interioridade de nossa mente/cérebro.Ainda
é Kerckhove que diz que “o objeto da atenção de centenas
ou milhares de pessoas em uma rede é uma construção
unificada e flexível... na rede, alcançamos ao conteúdo
da imaginação e da memória de muita gente.A
tela de cada usuário transforma-se no espaço onde a imaginação
e a memória próprias se encontram com a imaginação
e a memória de muitas outras pessoas.” (1999, p. 181/2) Projetos
como o “Genoma” ou o idealizado para a próxima visita da nave Pathfinder
a Marte... quando qualquer pessoa autorizada, em qualquer lugar da Terra,
poderá enviar comandos reais para o jipe,ou
seja,qualquer participante poderá
ser um cientista planetário, mudam
completamente a relação entre ensinar e aprender e a própria
forma de se fazer “ciência” na atualidade. Conectadas,
as pessoas acessam múltiplos espaços virtuais. Podemestabelecer
elos – redes integradas de saberes em permanente movimento –por
onde circulam amplamente as informações.Criar
comunidades. AS
COMUNIDADES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM A primeira dificuldade em definir uma “comunidade virtual de aprendizagem” está exatamente em restringir sua ação, seu início e continuidade com o fim especifico de atender a todos os seus membros em seus anseios de aprender.Como diferenciar uma comunidade virtual de uma comunidade virtual de aprendizagem?A redefinição de uma comunidade virtualorientada especificamente para “aprendizagem”é difícil.Na verdade as múltiplas e incessantes trocas que ocorrem em qualquer tipo de comunidade virtual refletem-seem inúmeras e diferenciadas aprendizagens para os seus membros.Em termos operacionais podemos denominar assim para as comunidades que emergem de cursos ou disciplinas realizadas totalmente ou quase exclusivamente no ambiente da Internet, por exemplo.Nem todos os cursos ou disciplinasoferecidas no ambiente eletrônico dão origem a comunidades. A comunidade específica de “aprendizagem”vai além do tempo de uma disciplina ou curso, ainda que possam surgir de iniciativas nestes momentos de ensino-aprendizagem. Em muitos casos ela se solidificaapós o encerramento destes. Não se constituem também apenas de períodos finitos, previamente estabelecidos pelas instituições ou pelos seus coordenadores e professores.As comunidades de aprendizagemultrapassam as temporalidades regimentais estabelecidas pela cultura educacional e vão além. Seu tempo é o tempo em que seus membros se interessam em ali permanecerem em estado de troca, colaboração eaprendizagem. A
interação, a troca, o desejo dos membros “alunos e professores”
de se manterem em contato,em estado
permanente de“aprendizagem” .....define
melhoreste movimento que, em si,
é bem mais potente do que a obrigatoriedade educativa imposta pelos
sistemas clássicos de ensino.Este
grupo de pessoas voluntariamente reunidasparatrocarem
conhecimentos e experiências e aprenderem juntas sobre temas específicos,
com regras e valores comuns, pode ser o embrião em torno do qual
as mudanças na educação ocorram. Em
termos mais precisos,Palloff
e Pratt (1999, p. 31) diz queasespecificidades
das comunidades virtuais de aprendizagem derivam danecessidade
de satisfazer as seguintes condições: ·Objetivos
comuns a todos os seus membros; ·Centralização
dos resultados a serem alcançados; ·Igualdade
de direitos e de participação para todos os membros; ·Definição
em comum de normas, valorese comportamentos
na comunidade; ·Trabalho
em equipe; ·Professores
assumem o papel de orientadores e animadores da comunidade; ·Aprendizagem
colaborativa; ·Criação
ativa de conhecimentos esignificados
de acordo com o tema de interesse da comunidade; . Interação
permanente. 4PESSOAS
MOTIVADAS PARA APRENDER A sensação
de pertencimento a um grupo com interesses comuns, pessoas com as quais
eu posso trocar idéias, conversar, ensinar eaprender
sobre o que prioritariamente eu dedico a minha atenção,já
é potencialmente motivador paradesencadear
um processo significativo de aprendizagem.
O processo
motivacional, no entanto, não é algo externo que se impõe
à pessoa.Também não
é
um produto, uma mercadoria que possa ser encomendada e trabalhada segundo
parâmetros previamente estabelecidos. Motivação é
processo.Processo que se transforma
permanentemente de acordo com os diversos momentos em que vivemos. As nossas
motivações falam de nossos anseios e desejos. É a
energia interior que nos encaminha para a realização das
nossas aspirações, mesmo quando não lhes damos conta
no plano consciente.
As nossas
motivações são únicas, não transferíveis,
contínuas e sofrem permanentes transformações.Em
diversas teorias, de maneira geral, elas são agrupadas de acordo
com as necessidades humanas. Neste caso, elas seriam básicas - quando
refletem as múltiplas necessidades de sobrevivência física
e proteção ;e culturais
ou comportamentais – quandorefletem
as condições ligadas à sobrevivência psíquica
e social.
A
motivação para aprenderse
inclui nesta última categoria.O
despertar do desejo de aprender e a sua continuidade,sem
jamais chegar à totalidade do saber,é
umjogo do qual todos os indivíduos
participam individualmente durante toda a vida,mas
cujos resultados e condicionamentos ocorrem no plano social.
O
contexto social reflete na motivação individual para aprender
mas não o define ou restringe.Ao
contrário, o processo motivacional individual inclui necessidades,
expectativas, valores, modelos mentais e as concepções pessoais
sobre tudo,o significado que atribuímos
ao trabalho .... e ao estado permanente de predisposição
para aprender.
O estímulo
para aprender nas comunidades virtuais é um desafio permanente.
Na maioria das vezes, as pessoas desistem pelos mais variados motivos,quase
sempre vinculados a reorientações de seus desejos (e motivações)
para outros caminhos. Assim, a alegadafalta
de tempo para estudar, por exemplo, indica a redistribuição
do tempo individual para suprir outras necessidades, consideradas prioritárias
naquele momento.
Wilson
Azevedo diz, em mensagem enviada para a comunidade colaborativa de aprendizagem
a distância“EOL”,que
“... mesmo com toda limitação de tempo, ainda separamos algum
para escrever sobre EOL. Isto acontece porque na hora em que o recurso
(tempo) e' escasso precisamos priorizar e gastá'-lo naquilo que
efetivamente tem relevância para nós naquele momento. O mundo
passa por uma crise muito grande, mas continuamos todos e cada um de nos
envolvidos com nossas responsabilidades e nossos sonhos...” (24/09/2001).
Comunidades
que conseguem dar vitalidade aos vínculos estabelecidos entre os
participantes para que se mantenham “em aprendizagem” - suprindo de alguma
forma as necessidades individuais e coletivas das pessoas envolvidas –
têm mais do que um foco outemática
aglutinadora.A comunidade virtual
ativa desperta o desejo e a necessidade de colaboração entre
seus membros na medida em que eles se sintam acolhidos ereconhecidos
pelas suas contribuições e participações.
O comportamento
individual na comunidade virtual é resultado de diferentes motivações
psíquicas e sociais.Participando,
colaborando,reconhecendo e sendo
reconhecido pelos seus pares,a pessoa
que atua intensamente da comunidade virtual sente o seu poder,desenvolve
suas potencialidades comunicacionais,libera
seus talentos.Mais ainda,socialmente
integrada na equipe,a pessoadimensiona
sua participação de acordo com os valores e regras em jogo,
realiza trocas e aprende muito mais do que o foco específico de
seu interesse.Aprende a conviver
em grupo, a colaborar e respeitar as pessoas, a falar e a ouvir (ainda
que ambos ocorram em intercâmbios escritos), a superar conflitos,
expor opiniões,trabalharcom
pessoas que não conhece presencialmente,mas
com as quais se identifica no plano dos interesses e idéias.
5.
EM DIREÇÃO A UMA NOVA SOCIABILIDADE NA EDUCAÇÃO As
comunidades virtuais não se diferenciamdas
comunidades que conhecemos nomundo
físico.As pessoas que circulamnas
comunidades virtuaistransferem para
elas seus modos de vida, seus valores e sua cultura.Essas
comunidades, no entanto, não são réplicas do mundo
físico ou reproduções das esferas sociais tradicionais.A
própria forma de agregação social, não imposta
a não ser pelo interesse pessoal, já as diferenciam.As
possibilidades de superação dos limites de espaço
e tempo, as agregações de pessoas sem as costumeiras barreiras
e limites que ocorrem na vida social,mostram
as potencialidades existentes nestes grupos e que permitem realizar atividades
que não são possíveis no mundo físico. A
DINÂMICA DE UMA COMUNIDADE VIRTUAL Hagel
y Armstrong(1997)considera que a
dinâmica das comunidades virtuais está orientada de acordo
com o princípio do benefício crescente de todos os seus membros.Um
tema interessante agrega membros para uma comunidade e, por sua vez,estes
membros geram novos conteúdos que ampliam e enriquecem todo o grupo.Esta
acumulação de saberes sobre um tema específico ocorre
em paralelo àmaior interação
e agregação entre eles.Na
medida em que os participantes da comunidade se sentem confortáveis
e identificados pelo ambiente construído nas interações
com os demais membros, eles permanecem e atuam com mais freqüência.
Desenvolvem sentimentos de fidelidade e lealdade ao grupo. A
acumulação de saberes e o sentimento de fidelidade são,
segundo Silvio (2000),os dois pontos
iniciais para o bom funcionamento das comunidades virtuais.A
partir daí, diz o autor,“a
participaçãocrescente
dos membros e a interação entre eles geram informações
cada vez mais completas sobre os membros da comunidade: suas preferências,
interesses e pontos de vista, ou seja, o perfil de seus pensamentos, sentimentos
e ações. Estes perfis permitem aos gerentes da comunidade
e a seus próprios membros focalizar suas atividadespara
os membros individuais ou para grupos ou subgrupos e criar mais valor para
a comunidade” . Segundo
Hagel e Armstrong (in Silvio),a
percepção do valor da comunidade atrai novos membros,usuários
externos e administradores de outras comunidades, que propõem parceriaseestimula
a realização de transações diversas entre seus
membros. A
evolução das comunidades virtuais, segundoHagel
y Armstrong (in Silvio,2000) ,como
todo grupo social, passa por varias etapas desde a sua formação.
A comunidade tem um ciclo de vida durante oqual
ocorrem diversos movimentos, guiados pelas interações entre
os membros e o interesse específico que gerou acomunidade.Alguns
movimentos comuns em todas as comunidades virtuais estão ligados
à sua própria administração e direção
(eleições, definição de comitês),organização,
comunicação (jornais, arquivos gerais, bibliotecas)e
eventos presenciais ou não (chats, videoconferências, fóruns).
. A
comunidade que se inicia é intensa de interações entre
seus membros. Todos querem se apresentar e conhecer os demais participantes.Com
o tempo, surgem subgrupos que se interessam por temas específicos
dentro do contexto geral da temática geradora do grupo.Esta
“profundidade fractal”, como diz Silvio,pode
ter efeitos positivos de estreitamento de laços entre seus membrosou
encaminhar para rupturas. Pode ser este o momento em que os subgrupos se
deslocam para a criação de novas comunidades, mais orientadas
aos seus interesses. A
palavra fractal, explica Sílvio,quer
dizer que a comunidadepode segmentar-se
em profundidade eamplitude, sem
perder sua identidade original. De qualquer forma, as comunidades virtuais
apresentam-se com muita movimentação e flexibilidade temáticadentro
dos focos específicos.Reunidos
pelas idéias comuns, seus membros migram de interesses outransitam,
como “nômades telemáticos”entre
as várias comunidades, grupos e sub-grupos orientados para os mesmos
temas. DESAFIOS As comunidades
virtuais de aprendizagem, o ensino colaborativo, aconexão
“planetária”,a mudança
dos papéis de professores e de alunos nas relações
de ensino aprendizagem ainda são situações que escapam
da realidade presentepara a maioria
dos indivíduos e das possibilidades tecnológicas e culturais
existentes no ambiente educacional .
Nossos
ambientes educacionais e todas as instituições que os regulam
e os alimentam já não conseguemsuprir
as necessidades e anseios das pessoas e da realidadecontemporânea.“Instituições
viciadas em valores obsoletos e práticas ultrapassadas” (Laszlo,p.
61) , insistem em construir novas práticas,utilizar
novas tecnologias,capacitar professores
para continuarem a agir diferente mas obedecendo a currículos e
programas iguais, sem alterações nas formas como se faz e
se dá a educação neste início de século.
Transformações
radicais na organização educacional e nas formas como se
ensina e como serelaciona com o
conhecimento são necessárias urgentemente para que se possa
acompanhar o ritmo em que a sociedade ampla se encontra na atualidade.
É preciso a relativização e reorientação
dos poderes das organizações edosdirigentes
educacionais.Proliferação
de novas formas de organização do ensino orientadas para
uma relação crítica permanente, contínua e
frutífera com o conhecimento e com a aprendizagem pessoal e coletiva,
pode serum dos muitos caminhos iniciais
para a reestruturação necessária dos processos educacionais.
O maior
desafio é que nestes novos espaços educacionais não
se recriem as práticas de exclusão e discriminação
costumeiramente feitos pelas instituições tradicionais de
ensino.Ao contrário, nestes
novos espaços de aprendizagem deve ser prioritária aformação
de cidadãos para atuarem democraticamente em todos os espaços:
virtuais ou não.
Orientadas
pelos princípios de participação ativa , respeito
aos demais participantes, não discriminação e abertura
para a inclusão geral e a educação permanente,as
comunidades virtuais podem realizaros
ideais da democracia participativa, antecipados por Matsuda.
Cidadãos
participantes de várias comunidades permanentes de aprendizagem
abrem-se para ainteração
ea colaboraçãoglobal
no mundo.Preocupados com a diminuição
total da info-exclusãoe a
inserção de todas as pessoas – de diferentes idades, segmentos
sociais, regiões e culturas –conectadas
e participantes como cidadãos planetários.
A grande
questão, colocada porMilton
Santos (in Lucena,2000, p. 27) é
a criação de uma nova prática comunicativa ... e educativa.
Prática que não se baseia na continuidade do tempo, que é
independente de distâncias e que não se referencia no espaço
físico e que, ao “aboli-lo” subverte toda a prática educativa
pré-existente.
As comunidades
virtuais de aprendizagem – flexíveis, abertas, dinâmicas e
atuantes -são focos subversivos
de agregação social em que podem ocorrer processos de aprendizagem
individual e grupal de qualidade.Em
suas práticasé possível
que se definam novas regras de atuação democrática
e igualitária.Novas formas
de participação, de relacionamento e interação
entre as pessoas que ensinam e aprendem.
CASTELLLS,M.A
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