A teoria de aprendizado de aprendizado significativo
[Ausubel et al, 1978] - que tem exercido uma enorme influência na
educação - se baseia em um modelo construtivista dos processos
cognitivos humanos. Em particular, a teoria da assimilação
descreve como o estudante adquire conceitos, e como se organiza sua estrutura
cognitiva. A premissa fundamental de Ausubel é ilusoriamente simples:
"O aprendizado significativo acontece quando uma informação
nova é adquirida mediante um esforço deliberado por parte
do aprendiz em ligar a informação nova com conceitos ou proposições
relevantes preexistentes em sua estrutura cognitiva. (Ausubel et al.,
1978, p. 159)"
Para David Ausubel, psicólogo da aprendizagem,
o principal no processo de ensino é que a aprendizagem seja significativa.
Isto é, o material a ser aprendido precisa fazer algum sentido para
o aluno. Isto acontece quando a nova informação “ancora-se”
nos conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do
aprendiz.
Neste processo a nova informação interage
com uma estrutura de conhecimento específica, que Ausubel chama
de conceito “subsunçor”. Esta é uma palavra que tenta traduzir
a inglesa “subsumer”.
Quando o material a ser aprendido não consegue
ligar-se a algo já conhecido, ocorre o que Ausubel chamou de aprendizagem
mecânica (“rote learning”). Ou seja, isto ocorre quando as novas
informações são aprendidas sem interagirem com conceitos
relevantes existentes na estrutura cognitiva. Assim, a pessoa decora formulas,
leis, macetes para provas e esquece logo após a avaliação.
Para haver aprendizagem significativa é preciso
haver duas condições:
a) o aluno precisa ter uma disposição para
aprender: se o indivíduo quiser memorizar o material arbitrariamente
e literalmente, então a aprendizagem será mecânica;
b) o material a ser aprendido tem que ser potencialmente
significativo, ou seja ele tem que ser logicamente e psicologicamente significativo:
o significado lógico depende somente da natureza do material, e
o significado psicológico é uma experiência que cada
indivíduo tem. Cada aprendiz faz uma filtragem dos materiais que
têm significado ou não para si próprio.
Para Ausebel é importante a aprendizagem de conteúdo
verbal com sentido, aquisição e retenção de
conhecimentos de maneira "significativa". O resultado é tão
eficaz quanto a aprendizagem por "descoberta", mais efetivos por economizarem
tempo do aprendiz e serem mais tecnicamente organizados. Este autor
se preocupa mais no processo de instrução com a apresentação
de conteúdo com sentido, do que com os processos cognitivos do aprendiz.
A programação de matérias deve ser feita por meio
de uma série hierárquica (em ordem crescente de inclusão),
com cada organizador avançado precedendo sua correspondente unidade.
Para Ausubel), a aprendizagem não necessita necessariamente
da motivação. Ela ocorre por si só. Para ele, quando
se aprende algo, há uma satisfação inicial, que estimula
que o ato pedagógico continue se desenvolvendo. O aspecto cognitivo
é a sua maior preocupação. A motivação
para ele é crescente no momento em que o aluno conhece os objetivos
do ensino , que devem ser claros e relacionados com o imediato. Para ele,
motivação é a própria aprendizagem.
Na tentativa de interpretar a teoria de assimilação
de David Ausubel, Joseph Novak chega à conclusão de que esquemas
e diagramas são úteis para ilustrar a teoria da aprendizagem
significativa. Novak cria, então, Mapas Conceituais - que consiste
em um esquema para cartografar, de forma hierárquica, os conceitos
presentes em um conhecimento. Seu objetivo inicial era auxiliar a definição
de seqüências instrucionais e o planejamento de currículos.
Atualmente, Mapas Conceituais são empregados em diversas atividades
do processo ensino-aprendizagem, inclusive na construção
de hipertextos educacionais
Livros:
1. AUSUBEL, D. NOVAK, J. PSICOLOGIA
EDUCACIONAL, INTERAMERICANA RIO DE JANEIRO
2A. EDICAO HANENSIAN, H.
2. AUSUBEL, D. P. THE PSYCHOLOGY OF MEANINGFUL
USA 1a. ED. VERBAL LEAARNING G. STRATTORN
1963
3. AUSUBEL, David. Psicologia educativa: um ponto
de vista cognitivo. Editorial Trillas, México,1976.
4. AUSUBEL, D P et alii. (1980) Psicologia Educacional.
Rio de Janeiro, Ed Interamericano
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Bruner preocupa-se em induzir uma participação
ativa do aluno no processo de aprendizagem, contemplando a "aprendizagem
por descoberta". Seu enfoque é a exploração de
alternativas e o currículo em espiral. O conceito de exploração
de alternativas pressupõe que o ambiente ou conteúdo de ensino
deve proporcionar alternativas para que o aluno possa inferir relações
e estabelecer similaridades entre as idéias apresentadas, favorecendo
a descoberta de princípios ou relações. Por sua vez
o currículo em espiral permite que o aluno veja o mesmo tópico
em diferentes níveis de profundidade e modos de representação.
O desenvolvimento intelectual depende da maturação
para representação e da integração. A maturação
para representação depende do nível de amadurecimento
do aluno e varia com o crescimento, através de refinamentos constantes,
sendo dividida em três modos de representação do mundo:
enativo,
icônico e simbólico. Através desses três
modos de representação, os indivíduos passam por três
estágios de processamento e representação de informações:
manuseio e ação, organização perceptiva e imagens
e utilização de símbolos. A integração
é a capacidade do sujeito transcender o momentâneo, desenvolvendo
meios de ligar passado-presente-futuro.
Um dos pontos chave para o desenvolvimento intelectual
são os ambientes abertos, onde a capacidade de representação
e integração são estimuladas, através de técnicas
provenientes da exposição ao ambiente especializado de uma
dada cultura.
O modelo de aprendizagem pela descoberta de Bruner,
estabelece que se deve usar uma abordagem voltada para a solução
de problemas ao ensinar novos conceitos. As mais importantes contribuições
deste modelo para a EaD são especificar experiências de aprendizagem
pelas quais os estudantes têm de passar; relacionar um volume de
conhecimento ao nível dos estudantes; escalonar as informações
de maneira que elas possam ser facilmente compreendidas.
Bruner enfatiza a aprendizagem por descoberta, no qual
se preocupa em induzir uma participação ativa do aprendiz
no processo de aprendizagem. Para o aluno aprender deve haver situações
de desafio que a levem a resolver problemas. Usar da fase de desenvolvimento
da criança para faze-la aprender.
1 - Enativa (movimento, respostas motoras).
2 - Icônica (percepção do ambiente
e formação de modelos).
3 - Simbólica ( ordena e organiza as imagens
com historicidade).
Bruner acredita que a solução de muitas
questões depende de uma situação ambiental que se
apresente como um desafio à inteligência do aprendiz, levando-o
a resolver problemas, promovendo a transferência da aprendizagem.
Aplicação dos conhecimentos adquiridos a uma nova situação.
Bruner distingue dois tipos de motivação:
motivação intrínseca e motivação extrínseca.
O
professor deve sempre estimular os alunos para a descoberta, desafiando-os
sempre. Para ele, aprendizagem é também motivação,
onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido
Ele realça a importância da motivação
e da compreensão no processo de aprendizagem. A formação
de conceitos globais, a construção de generalizações
coerentes e a explicitação da estrutura funcionam como facilitadores
da aprendizagem.
* Bruner apresenta 4 princípios explicativos do
processo de ensino/aprendizagem:
-
motivação (reforços e motivação
intrínseca);
-
estrutura (modo de apresentação, economia e
poder da informação);
-
sequência (apresentação motora a que
se segue a icónica e por fim a simbólica);
-
reforço (feed-back da acção).
Em resumo, a, teoria de Bruner inclui a participação
ativa do aluno no processo de aprendizagem, a aprendizagem por descoberta,
a exploração de alternativas, o currículo em espiral
e a aprendizagem segundo as fases internas do desenvolvimento.
Livros
· BRUNER, J.S. Uma Nova Teoria da Aprendizagem.
Rio de Janeiro: Ed. Bloch, 1976.
· Bruner, J. S. Nature and uses of imaturity.
Em J. Bruner, A Jolly e K. Sylva (Eds.) Play. Middlesex, England: Penguin
Books , 1976.
· BRUNER, J. Savoir faire, savoir dire. Paris:PUF,
1983.
· Bruner, Jerome – O Processo da Educação,
Lisboa, Nova Biblioteca 70, 1995
· Bruner, J. Atos de Significação.
Porto Alegre, Artes Médicas, 1997.
· Bruner, Jerome – Actos de Significado,
Lisboa, Edições 70, 1997
· BRUNER, J. Realidade Mental e Mundos Possíveis;
trad. Marcos A. G. Domingues. - Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
· Bruner, Jerome – Para uma Teoria da Educação,
Lisboa, Relógio d’Água, 1999
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Vygotsky é o que apresenta maior contribuição
no entendimento do complexo processo de aprendizagem humana. Vygotsky
propõe o interacionismo, que é baseado em uma visão
de desenvolvimento apoiada na concepção de um organismo ativo,
onde o pensamento é construido gradativamente em um ambiente histórico
e, em essência, social. A interação social possui
um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e toda função
no desenvolvimento cultural de um sujeito aparece primeiro no nível
social, entre pessoas, e depois no nível individual, dentro dele
próprio.
Segundo VYGOTSKY (1974, 1984) , ; interação
social é origem e motor da aprendizagem e do desenvolvimento intelectual.
Todas as funções no desenvolvimento do ser humano aparecem
primeiro no nível social (interpessoal),
depois, no nível individual (intrapessoal). A
aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica
e um processo através do qual as pessoas penetram na vida intelectual
daquelas que as cercam.
Portanto, uma atualização destas noções
nos possibilita pensar o novo estilo de pedagogia, que favorece a aprendizagem
coletiva em rede ( nível social ou interpessoal) e, ao mesmo
tempo as aprendizagens personalizadas ( nível individual ou intrapessoal).
Vygotsky identifica três estágios de desenvolvimento
na criança e que podem ser estendidos a qualquer aprendiz:
-
nível de desenvolvimento real - determinado
pela capacidade do indivíduo solucionar independentemente as atividades
que lhe são propostas;
-
nível de desenvolvimento potencial - determinado
através da solução de atividades realizadas sob a
orientação de uma outra pessoa mais capaz ou cooperação
com colegas mais capazes; e
-
zona de desenvolvimento proximal - considerada como
um nível intermediário entre o nível de desenvolvimento
real e o nível de desenvolvimento potencial.
A "zona de desenvolvimento proximal" é potencializada
através da interação social, ouseja, as habilidades
podem ser desenvolvidas com a ajuda de um adulto servindo de ínlia
ou através da colaboração entre pares. Já o
nível de desenvolvimento real é considerado como as funções
mentais do indivíduo que já estão estabelecidas, decorrentes
das etapas de desenvolvimento inteiramente cumpridas pelo sujeito.
A aplicação da abordagem de Vygotsky
na prática educacional requer que o professor reconheça a
idéia da "zona de desenvolvimento proximal" e estimule o trabalho
colaborativo, de forma a potencializar o desenvolvimento cognitivo dos
alunos. Os ambientes colaborativos de aprendizagem, apoiados em computadores
e tecnologias associadas, valorizam este tipo de abordagem, criando um
espaço de trabalho conjunto.
Um outro conceito relacionado à concepção
de VYGOTSKY ( 1984) refere-se à necessidade da intervenção
do adulto para apoiar o aluno na realização de uma tarefa
complexa que ele, por si só, seria incapaz de realizar, e foi desenvolvido
por BRUNER (1983). Este conceito. indica como o adulto implementa processos
de suporte que se estabelecem através da comunicação
e que funcionam como apoio ou andaimação. O controle
da tarefa é transferido gradualmente do adulto (o apoio / andaime
) para a criança, ou do professor para o aluno. Segundo tais princípios,
a concepção e uso de ambientes interativos de aprendizagem
deverão apresentar diferentes graus de complexidade, de forma a
possibilitar a cada sujeito, em cada momento, atuações que
estão nesta zona desenvolvimento proximal, com
variados recursos de andaimação. Estes
recursos são gradativamente retirados de acordo com o desenvolvimento
do aluno.
Livros
· VYGOTSKKY, L.S.; LURIA, A.R. e LEONTIEV, A.N.
Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. São Paulo: Ícone-Ed.
USP, 1988.
· VYGOTSKY, L. A formação social
da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores.
São Paulo: Martins Fontes, 1998.
· VYGOSTKY, L.S. (1988) A Formação
Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes.
· VYGOSTKY, L.S. (1989). Pensamento e Linguagem.
São Paulo: Martins Fontes.
· VYGOTSKY L. S. (1929) The problem of the cultural
development of the child, II. Journal of GeneticPsychology, 36, 414-434.
· VYGOTSKY L. S. (1930/1985) La méthode
instrumentale en psychologie, In B. Schneuwly et J.-P.Bronckart (Eds.)
(1985), pp. 39-48;
· VYGOTSKY L. S. (1978) Mind in society: The development
of higher psychological processes, Harvard,Cambridge (Massachusetts);
· VYGOTSKY L. S. (1981) The Genesis of Higher
Mental Functions, In J.V. WERTSCH (Ed.) (1981)
· VYGOTSKY L. S. (1981) The instrumental method
in psychology, In J.V. WERTSCH (Ed.) (1981), pp.134-143..
· VYGOTSKY L. S. (1985) Pensée et langage,
Paris, Messidor/Editions Sociales;
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A preocupação de Freire resultava na construção
de uma nova sociedade, em que ensinar não é transmitir conhecimentos,
mas sim é a consciência do inacabamento, a capacidade está
em intervir sobre os nossos próprios condicionamentos, pois somos
seres únicos; se morrermos, o mundo será diferente. Exige
bom senso e apreensão da realidade, este é o resultado de
ensinar.
Para Paulo Freire é necessário romper
com a forma depositária de transmissão, transferência
de valores e conhecimentos, onde a relação existente entre
professor e aluno é de um sujeito narrador, detentor do saber absoluto
e pacientes ouvintes. O mesmo autor (1983, p. 75) ressalta ainda,
a importância de contextualização dos temas ao cotidiano
e valores dos alunos:
“Somente na comunicação tem sentido a vida
humana. Que o pensar do educador somente ganha autenticidade na autenticidade
do pensar dos educandos, mediatizados ambos pela realidade, portanto, na
intercomunicação. Por isto, o pensar daquele não pode
ser um pensar para estes nem a estes imposto.”
A sua metodologia é conceber o aluno como
aquele que se descobre como sujeito do processo histórico, onde
o "universo vocabular" e as "palavras geradoras", partem do sensível,
do imediato, do dado, do empírico para o concreto. A dialética
presente no seu pensamento constrói uma metodologia
que parte do empírico para o abstrato, do particular para o
contextualizado.
A leitura da palavra escrita deve, pois, mediatizar a
leitura do mundo; esta passagem se constrói entre educador e educandos
através do diálogo. E o diálogo é o princípio
ativo da cooperação. Não existe, pois, uma ação
isolada por parte do sujeito que ensina(ou melhor, que orienta a aprendizagem).
Os sujeitos do ato educativo convivem numa relação absolutamente
horizontal, onde quem ensina, aprende e quem aprende também ensina.
Para Freire, a educação problematizadora
deveria romper com os esquemas verticais característicos da educação
bancária (enciclopedista) , aspecto que só seria possível
com a superação da contradição entre educador
e educandos. Assim, não existiria educador do educando, nem educando
do educador, mas educador-educando e educando-educador.
Na destaca-se a " Teoria Dialógica" de Paulo Freire,
que concebe quatro características:
1. colaboração;
2. união;
3. organização;
4. síntese cultural.
A preocupação de Paulo Freire estava na
análise do contexto da educação. A sua obra traz uma
concepção do papel político que a educação
pode vir a desempenhar e conseqüentemente desempenha sempre, na construção
de uma outra sociedade. A sua teoria traz uma íntima relação
com a prática pedagógica. A sua metodologia é conceber
o aluno como aquele que se descobre como sujeito do processo histórico,
onde o "universo vocabular" e as "palavras geradoras", partem do sensível,
do imediato, do dado, do empírico para o concreto. A dialética
presente no seu pensamento constrói uma metodologia que parte do
empírico para o abstrato, do particular para o contextualizado.
O saber, para Freire, tem um papel emancipador, pois a
teoria e a prática realacionam-se com o conhecimento e seus interesses.
A mensagem de Paulo Freire é uma pedagogia que dignifica o outro.
Forma a consciência, sem violentá-lo, sem humilhá-lo.
O respeito dialético é fundamental (ter respeito e indicar
outro caminho), salto da consciência ingênua para consciência
crítica. O método consiste em fazer da pergunta um jogo:
pega a pergunta, trabalha a pergunta e volta a pergunta para o aluno, pois
só conhecemos aquilo que é significativo para nós.
Pode-se dizer que existe uma complementaridade entre Freire
e Piaget. Piaget se preocupava com a construção do conhecimento,
como se organiza o desenvolvimento das estruturas mentais no indivíduo.
Já Freire se preocupava com o tipo de homem que vem por aí,
quem é realmente o homem do seu tempo, onde a insatisfação
e a auto-realização são aspectos importantes nesse
homem. O ensino, portanto, deve preparar o homem para a autonomia intelectual,
para a compreensão da realidade, para a facilidade da comunicação,
para a oralidade, não prepará-lo para a cultura do silêncio,
e, somente desse modo ele poderá afirmar-se como soberano.
Livros
-
FREIRE, Paulo. Conscientização - teoria e prática
da libertação. 3ª ed. São Paulo: Moraes, 1980.
-
Freire, P. Extensão ou comunicação?
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
-
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido (29a ed.). Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1987.
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